A prevenção de acidentes e doenças ocupacionais foi reforçada em Chapecó durante a campanha Abril Verde, por meio de ações realizadas pela Prefeitura de Chapecó, por meio da Secretaria de Saúde e do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST). As atividades ocorreram diretamente em empresas, obras e diferentes ambientes de trabalho. Ao todo, até a última sexta-feira (24), 835 trabalhadores haviam sido alcançados com testagens rápidas, avaliação bucal, atualização do cartão vacinal e atendimentos prestados pelas equipes de saúde, incluindo o uso do ônibus Saúde em Movimento em diversos setores produtivos.
As atividades contemplaram trabalhadores da construção civil, transporte, indústria moveleira e outros segmentos. Entre as ações já realizadas, houve avaliação bucal na empresa KA/Forty8/StartLife, no bairro Desbravador, além de testagens rápidas com foco também em Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) nas unidades Bellei/Kalarari e Bellei/Sky/Artsy, ambas na região central da cidade.
Nesta terça-feira (28), data que marca o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho e também o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, novas ações estão programadas nas empresas Modesc, no Distrito Industrial, e KA/Joy, na região da Efapi, com testagens rápidas incluindo ISTs. Já na quinta-feira (30), o atendimento será realizado na Fiorini/La Maesta, no bairro Jardim Itália, de acordo com a coordenadora do CEREST Regional de Chapecó, Michela Pértile.
A mobilização local acompanha uma data de alcance internacional. O dia 28 de abril foi instituído pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2003, como marco de conscientização sobre a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. No Brasil, a data também é reconhecida pela Lei nº 11.121/2005 como Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.
Prevenção além dos acidentes visíveis
A origem do 28 de abril remete a uma tragédia ocorrida em 1969, quando uma explosão em uma mina no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, matou 78 trabalhadores. O episódio se tornou símbolo internacional da luta por ambientes laborais mais seguros e impulsionou movimentos em defesa da prevenção.
Desde então, a data passou a representar não apenas um dia de memória, mas também de mobilização permanente pela segurança ocupacional. A discussão envolve o uso correto de equipamentos de proteção, fiscalização, ergonomia, controle de riscos físicos, químicos e biológicos, além da atenção crescente à saúde mental e ao esgotamento profissional.
O adoecimento relacionado ao trabalho não se limita a acidentes graves ou fatais. Também inclui lesões por esforço repetitivo, doenças respiratórias, transtornos psicológicos, intoxicações, perdas auditivas e situações de exaustão física e emocional, cada vez mais presentes em diferentes categorias profissionais.
Números ainda preocupam
Mesmo com avanços na legislação e na fiscalização, o cenário brasileiro ainda apresenta índices elevados. O Tribunal Superior do Trabalho registra mais de 700 mil acidentes de trabalho por ano no país. Em média, cerca de 55 trabalhadores deixam definitivamente o mercado de trabalho diariamente por morte ou incapacidade permanente.
Estimativas da OIT apontam ainda perdas equivalentes a cerca de 4% do Produto Interno Bruto com acidentes e doenças ocupacionais, impacto que pode superar R$ 200 bilhões anuais no Brasil.
A campanha Abril Verde busca ampliar a cultura de prevenção e reforçar que a segurança no trabalho não é apenas exigência legal, mas uma condição essencial de dignidade humana. A principal mensagem permanece atual: trabalhar não significa correr risco de vida.