A implantação do projeto que vai transformar a sede administrativa da Prefeitura de Chapecó em uma edificação de energia zero entrou em uma nova fase com o início das visitas técnicas para avaliação estrutural e definição das etapas de execução. Após a aprovação da proposta no Edital Procel Energia Zero e a confirmação de R$ 4,44 milhões em investimentos, o município avança agora para a fase de aferição das condições do prédio e planejamento das intervenções. Sede administrativa do município receberá usina solar, novos equipamentos e sistema de armazenamento de energia após projeto aprovado em edital federal de eficiência energética.
Nesta etapa, Chapecó recebeu os técnicos Gidean Souza e Thiago Amorim, representantes da ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional S.A.) e responsáveis pelo acompanhamento da execução do projeto de eficiência energética. A visita teve como objetivo verificar as condições da sede administrativa, alinhar os detalhes operacionais e preparar o cronograma de implantação das melhorias previstas.
Os representantes foram recebidos pelo prefeito Valmor Junior Scolari e pela responsável pelo setor de Captação de Recursos da Prefeitura, Chaiane Camila Dalla Costa, que apresentou as instalações e acompanhou a vistoria técnica. Também participaram o engenheiro da Prefeitura, Paulo Renato Venturini, e o representante da empresa Deode Energia, Gustavo Salume, que acompanharam as análises relacionadas à futura execução.
Chapecó conquistou o primeiro lugar na Região Sul e a sétima colocação no ranking nacional do edital federal, garantindo mais de R$ 4,3 milhões em recursos externos para viabilizar o projeto. A iniciativa prevê a modernização energética do prédio principal da administração municipal, com foco na redução do consumo de energia elétrica, na diminuição de despesas correntes e no fortalecimento das políticas de sustentabilidade da gestão pública.
Intervenções previstas
Entre as principais mudanças previstas está a instalação de uma usina fotovoltaica no estacionamento da sede administrativa, no modelo carport, com 120 placas solares. O sistema permitirá a geração própria de energia e redução da dependência da rede convencional.
Também será feita a substituição de 60 aparelhos de ar-condicionado obsoletos por equipamentos de alta eficiência energética, além da implantação de um sistema de armazenamento por baterias com capacidade de 100 kW e 215 kWh, permitindo maior estabilidade e melhor aproveitamento da energia produzida.
O projeto inclui ainda a instalação de brises na fachada e de telhado termoacústico, medidas voltadas ao aumento da eficiência térmica do prédio e à diminuição da necessidade de climatização artificial.
Segundo a administração municipal, a economia anual prevista com essas intervenções deve contribuir diretamente para o equilíbrio das contas públicas, reduzindo despesas permanentes de custeio e ampliando a capacidade de investimento em outras áreas.
Programa federal
A proposta foi aprovada dentro do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), criado em 1985 para promover o uso eficiente da energia elétrica e combater desperdícios em diferentes setores, como edificações públicas, iluminação, indústria e comércio.
Desde junho de 2023, a execução do programa passou a ser responsabilidade da ENBPar, empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia e criada pela Lei nº 14.182, de 2021.
Além da gestão de programas estratégicos como o Luz para Todos e o Proinfa, a ENBPar também coordena ações de eficiência energética do Procel e investimentos voltados à redução de emissões de carbono e ao fortalecimento da infraestrutura energética nacional.
As ações do Procel geraram economia de 23,79 bilhões de kWh (relatório Procel 2025, ano-base 2024), equivalente ao consumo anual de 11,18 milhões de residências. Isso evitou a emissão de 1,297 milhão de toneladas de CO₂ equivalente, comparável a retirar 445 mil veículos das ruas por um ano. O programa também reduziu a demanda na ponta em 7.594 MW e evitou custos de R$ 3,85 bilhões.
Para Chapecó, a aprovação do projeto representa não apenas a modernização da estrutura administrativa, mas também a ampliação da capacidade de captação de recursos federais e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à sustentabilidade e à eficiência da gestão pública.