A trajetória da colonização de Chapecó, os processos de ocupação do Oeste catarinense e a preservação de parte importante da memória regional ganharam novo impulso nesta quarta-feira (10), com a reabertura do Museu da Colonização, localizado no Parque de Exposições Dr. Valmor Ernesto Lunardi (Efapi).
A cerimônia reuniu representantes do poder público, familiares da família Bertaso, integrantes da comunidade cultural e pessoas ligadas à preservação do patrimônio histórico. Entre os presentes estavam a diretora de Cultura da Secretaria de Cultura/Prefeitura de Chapecó, Silvia Baggio, o historiador Leonardo Dlugokenski, coordenador dos museus de Chapecó, e o vereador Cleiton Agnoletto, representando a Câmara de Vereadores.
Instalado na histórica Casa da Família Bertaso, o museu preserva parte significativa da memória relacionada à formação do município. Construída em 1922, a residência acompanhou os primeiros anos de desenvolvimento da cidade e tornou-se uma referência para a compreensão da colonização regional.
O processo de ocupação de Chapecó intensificou-se a partir das primeiras décadas do século XX, especialmente com a atuação da empresa colonizadora Bertaso & Maia & Cia. Desde 1918, o parcelamento de grandes áreas de terra favoreceu a chegada de famílias de colonos e contribuiu para a formação da estrutura fundiária predominante na região. Nesse período, a economia local esteve ligada inicialmente à agricultura e ao comércio, incorporando posteriormente a atividade madeireira, que ajudou a consolidar Chapecó como polo regional do Oeste catarinense.
O espaço museológico também permite acompanhar diferentes marcos históricos do município, como a criação da Comarca e do Município de Chapecó, em 1917, a formação da Vila Passo dos Índios, em 1933, e a atuação de Ernesto Francisco Bertaso, figura diretamente ligada ao processo de colonização e desenvolvimento regional.
Além da dimensão histórica, o museu preserva aspectos da vida cotidiana da família Bertaso. Cartas, fotografias, objetos pessoais e outros registros ajudam a compreender não apenas a trajetória pública dos pioneiros, mas também as relações familiares, os costumes e as experiências vividas ao longo de décadas.
Outro destaque da exposição é a valorização da trajetória de Zenaide Ballista Bertaso. Nascida no Rio Grande do Sul e descendente de imigrantes italianos, ela teve papel importante na organização da vida familiar, na educação dos filhos e na preservação de tradições e memórias transmitidas entre gerações. Sua história é apresentada como parte fundamental da construção da identidade regional.
A própria trajetória da residência demonstra o esforço de preservação do patrimônio histórico. A casa foi transferida para outro local na década de 1950, reconstruída em 1991 e reconhecida oficialmente como patrimônio cultural em 2011. Com a reabertura realizada em 2025, o Museu da Colonização inicia uma nova etapa voltada à preservação, pesquisa e compartilhamento da história de Chapecó para as futuras gerações, reforça a diretora de Cultura da Secretaria de Cultura, Silvia Baggio.